Escolhas
Vai ver que com as mesmas sensações de certezas com que
escolhemos nossa religião, escolhemos também nossos partidos políticos e seus
representantes, escolhemos nossos princípios econômicos e por fim, com aquelas
mesmas sensações de certezas, nos justificamos, e nos iludimos, nos fazendo
acreditar que realmente fizemos as escolhas certar, baseados em evidências reais
e verdadeira racionalidade crítica.
Posso estar certo, ou posso estar errado, mas isto, a
sensação de certeza nas escolhas, por si só, já falaria muito sobre a situação
da realidade que vivemos. Nossas escolhas acabam sendo, em maioria absoluta,
baseada em meras crenças, sem maiores provas, por ingenuidade, interesses,
medo, romantismo, por pura indução, por moda, ou por acreditar naqueles que se
intitulam autoridades do saber, que falam bem, ou que parecem conhecer do que
falam.
Quando me refiro a escolha de religião, não me refiro à
religiosidade individual de cada um, me refiro a escolha de integrar uma
religião formal, estruturada, principalmente enquanto uma entidade com poderes
políticos e econômicos, e por que não sociais, ao mesmo modo dos políticos e
seus partidos.
Escolhas, a maioria das vezes, a maioria de nós, é ingênuo ao
acreditar que as tomamos racionalmente, baseado em evidências ou sólida
percepção crítica. Muitas vezes, para nos justificar a nós mesmos, varremos
para debaixo de nosso tapete mental as razões de interesses pessoais, e
buscamos toda e qualquer possibilidade que nos ajude a justificar nossas
escolhas como racionais. Muitas vezes o que nos importa é que na defesa de
nossos interesses, os outros acreditem que nossas escolhas sejam racionais e
pareçam como algo que dignifica o humano e o social, mesmo que por social,
acabemos percebendo apenas o meu, o nosso, os nossos, e alguns poucos mais que
dividem nosso teatro de operações do viver.


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